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Eu dizia que passava... E foi-se a vontade de ter uma certa flor tatuada no ventre que mais tarde geraria uma filha sua. Mas não o desejo da filha. Foi-se o andar perdido enquanto se espera horas, minutos, em alguma rua cinza. E não há muita falta. Mas volta e meia, quanto sinto prazer, rio por dentro e penso que essa forma de sorrir você nunca teve, mas não sei se é bom ou não. A verdade é que nunca fui de me arrepender e pretendo continuar assim. Não é orgulho não, que isso já deixei de lado. É aprendizagem. Na vida é tudo aprendizagem e, ou a gente aceita e se prepara pro futuro ou fica pensando, remoendo, até virar cancêr. Clarice morreu de câncer no útero. E é estranho pensar nisso ao ver suas palavras escorrendo essência humana. Vai ver que faltava a ela uma flor, uma pequena flor tatuada no ventre. Vai ver que ela também esperava muito de quem sempre se atrasava. Não sei. Quem sou eu para falar de Clarice? Quem sou eu?
Escrito por Carolina às 20h58
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Achei linda!!
Pintura sem arte
- Candeia-
Me sinto igual a uma folha caída Sou o adeus de quem parte pra quem a vida é pintura sem arte A flor esperança se acabou, O amor o vento levou Outra flor nasceu é a saudade que invade tirando a liberdade Meu peito arde igual verão Mais se é pra chorar, choro cantando pra ninguem me ver sofrendo e dizer que estou pagando. Não não basta ter inspiração, Não basta fazer uma linda canção Pra cantar samba se precisa muito mais, Samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais Por isso agradeço a saudadMe sinto igual a uma folha caída Sou o adeus de quem parte pra quem a vida é pintura sem arte A flor esperança se acabou, O amor o vento levou Outra flor nasceu é a saudade que invade tirando a liberdade Meu peito arde igual verão Mais se é pra chorar, choro cantando pra ninguem me ver sofrendo e dizer que estou pagando. Não não basta ter inspiração, Não basta fazer uma linda canção Pra cantar samba se precisa muito mais, Samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais Por isso agradeço a saudade em meu peito Que vem acalentando o meu sonho desfeito Jardim do passado fohas mortas pelo chão Herda nas sementes de paixãoe em meu peito Que vem acalentando o meu sonho desfeito Jardim do passado fohas mortas pelo chão Herda nas sementes de paixão
Escrito por Carolina às 16h00
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E eu revelei meu esconderijo ao menino-não-tão-menino. Acho que me livro do peso das palavras guardadinhas diluídas com o tempo nas horas de solidão. E se você aparecer: algumas coisas são ficção, outras não. Mas não julgue qualquer coisa de si mesmo. Nem vá pensando que as palavras são para você. Elas são minhas, um sentimento meu, que eu criei e cultivei quase que sozinha. E aqui eu posso ser dramática : ) Não se iluda. O jogo da ilusão já passou.
Escrito por Carolina às 16h25
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Reli algumas coisas desse blog e percebi que falei muito sobre perdas. E é tudo uma só coisa, uma só história. A mesma experiência que se repetiu tantas vezes. O mesmo sentimento que me acompanhou tantas vezes. Até o momento em que o adeus é definitivo e ninguém avisa que não haverá um replay.
Escrito por Carolina às 18h17
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Às vezes, enquanto andávamos pelas ruas eu lhe perguntava:
-Para aonde estamos indo?
E ele respondia:
-Estamos indo.
E eu adorava simplesmente ir. (Tem dias que sinto falta de estar indo.)
Escrito por Carolina às 22h58
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Como eu poderia mudar o mundo se não consigo mover sequer um grão de areia?
Escrito por Carolina às 22h54
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Se te amei? Como eu, amante das palavras poderia não amar ? suas palavras. doces. macias. suaves. como ? se cada frase tinha efeito. cada sílaba um sorriso ou lágrima? como não? cada reticências era uma espera. cada exclamação uma vitória. e cada interrogação um medo tremendo? Amei. Cada letrinha, suspiro, palavra. Até na hora erada (e foram muitas). Mas você? Você não sei. Porque apagando as palavras o que fica? o que sobra? Só o farelinho da borracha branca. E a marca do lápis no caderno. o que resta? Um coração de papel que se desfaz ao sol e ao sal.
Escrito por Carolina às 17h20
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Eu
Sou um mosaico.
E me fiz asim:
Como pessoa frágil que sou
(sou pessoa como todas)
Fui me quebrando
Me partindo
Não de forma uniforme
(detesto tantos padrões)
Mas de formas repentinas
e incertas
Começou com um não
uma lágrima ou duas
E depois, um beijo último
(era hora de despedida)
Então veio o mundo
Que ao girar fez-me tonta
Caí!!
.
.
.
Ai!!
Pois não é que ao ver-me:
cacos coloridos
Fui recolhendo-me pelo caminho?
Tinham pedaços meus nos cantos
na caixinha de madeira,
nas folhas rabiscadas,
até dentro da terra.
Me colhi, enfim,
e colei
peça por peça
de cada fragmento
(cola instantânea para não titubear)
E me vi assim:
mosaico
nada nada geométrica
roxo amarelo vermelho
azul branco preto
colorida
(como a vida deve ser?)
Agora, ando com cuidado
Para evitar que algum pedacinho se solte
ou lasque
ou quebre
ou arranhe
Então sigo remendada
Encontrando às vezes lasquinhas escondidas
(esquecidas?)
debaixo do tapete
Mas é tarde
e têm pedaços que de tão ásperos ...
...não colam mais.
Escrito por Carolina às 13h36
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Agradecimentos
Agradeço ao Ricardo pela paciência por aturar minhas crises existenciais. Especialmente a de hoje. : )
Obrigada. Te adoro muito.
Escrito por Carolina às 20h56
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Tudo no tempo certo
Você: jeito de menino perdido e já homem. E nesses tantos anos parece ter vivido de forma intensa mas se esquecendo de tudo. De tudo, não aprendi o principal: esquecer. Porque eu sei ir quando é a hora. Mas nunca me despeço então fica algo guardado que não tenho a quem entregar. Como se você tivesse me emprestado um livro e agora eu não tivesse como devolver, então o carrego comigo, para se... Acho que agora derramo o que ficou pelo chão das ruas da cidade. De repente, dobrando a esquina você verá um pedacinho meu e saberá que por ali passei. Você, que queria vida de gente grande mas que muda de idéia, sendo que a geminiana sou eu. Eu não te perguntava o porque de ser eu a "sua mulher" à toa... Você se apaixonou muito rápido e pelo visto continua assim. O que sei? Que você de repente é quem sublimou tudo de forma mais fácil. Até entendo: tudo se resume cansaço. O cansaço me deu alguma força, súbita e rápida. Só deu tempo de vomitar as palavras e emoções presas. Esse mesmo cansaço te faz, sei lá... calar? Queria entender o silêncio. Só isso. Ah, você, meu? Não, nunca meu. Você com olhos meus. Porque eram meus seus olhos quando me viam. O que você via? Nunca perguntei. Mas depois descobri o que não... deixa, esquece. Vai seguir sua vida de gente grande. A vida que eu nunca teria porque não sou essa, sabe? Muita sorte. Vai: casa, tenha uma filha, mas não a chame de Helena porque essa será minha. Quer saber? não faz diferença porque elas não serão irmãs mesmo. Vai rapaz, construir seus sonhos, matar seus demônios. Vai que alguém te espera. Nem melhor, nem pior, apenas outra. Mais do que fotos, guardo uma velha máquina. Mais do que cartas, guardo a mais linda canção. E mais do que sonhos mais do que sonhos etéreos, guardo lembranças. Lembranças que um dia deixarão de existir.
Escrito por Carolina às 17h06
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Qual é?
Qual é teu gosto? Qual é tua cor? Qual é teu signo? Qual é tua dor? Qual é teu sonho? Qual é teu medo? Qual é teu desejo? Qual é teu cheiro? Qual é tua fruta? Qual é teu anseio? Qual é tua dúvida? Qual é teu beijo? Qual é teu lugar? Qual é tua tribo? Qual é tua música? Qual é teu ritmo? Qual é teu dia? Qual é teu mês? Qual é tua vida? Qual é tua vez? Qual é teu pecado? Qual é tua sina? Qual é teu lapso? Qual é tua cisma? Qual é teu erro? Qual é tua esperança? Qual é teu abraço? Qual é tua dança? Qual é teu olhar? Qual é tua astro? Qual é teu lar? Qual é teu passo? Qual é tua voz? Qual é teu som? Qual é teu algoz? Qual é teu tom? Qual é teu amar? Qual é teu amar? Qual é teu modo de amar? Qual é teu modo de me amar? Qual? Qual é teu gosto? Me faça lembrar.
Escrito por Carolina às 21h21
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Aprendi filosofia e literatura. Conheci as minhas músicas. Apreciei prédios e ruas. E de tudo, o que me ficou? Não guardo um livro com letras suas. Nem uma foto em p&b. Não tenho uma carta, um cartão-postal. Até mesmo os e-mails sumiram sem avisar. De repente eu preferiria que você tivesse sido um mentor e não um amigo. Que você tivesse sido só uma pessoa interessante e não alguém para amar. E sugiro que o kit namorada mude de nome porque não é garantia. E sim, você nunca garantiu nada. O que ficou? Não foram lágrimas. Ficou o que não houve, o que não tivemos. Acordo segurando flores de cerejeira e ouvindo bossa nova. Durmo lendo Clarice e pensando no centro. Ficou uma solidão que enlouquece e um vazio doído. Uma mágoa rasa sem razão de ser. Ficou a idéia do que poderia ter sido. Mas não foi. Então fico só. eu sem você.
Escrito por Carolina às 21h14
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Cartola
O Mundo é Um Moinho
Composição: Desconhecido
Ainda é cedo amor Mal começastes a conhecer a vida Já anuncias a hora da partida Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção querida Embora eu saiba que estás resolvida em cada esquina cai um pouco a sua vida Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor Preste atenção que o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida De cada amor tu herdarás só o cinismo Quando notares que estás à beira do abismo
Escrito por Carolina às 18h01
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Sinto falta de uma mão que segure a minha, de um ouvido que dê sentido a minha pronúncia. Falo para as paredes e por elas me esgueiro, ébria, louca e sozinha. As promessas voaram e fiquei atordoada. Os sonhos, queimei-os e joguei suas cinzas no mar. Não entendo o que resta. Sei que é uma dor, um vazio. Algo sereno e sufocante ao mesmo tempo. Nos livros guardados, no disco de vinil, na música que toca: parece que em tudo há um pouco de você e só por isso, há um pouco de mim também. Nas ruas te procuro não querendo encontrar. De repente seria mais fácil com uma despedida de verdade. Queria um pouco de drama, um pouco de verdade. Eu desejava gritos, lágrimas, dor forte e rápida. E depois, depois o silêncio de quem já não tem nada pra dizer. Então eu poderia deixar essas linhas em branco, nada precisaria falar. Porque enfim, a solidão não poderia ser (d)escrita. E a sua ausência não me faria tão só.
Escrito por Carolina às 17h36
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Sexta foi um inferno, é verdade. Aí ontem aula de manhã. De noite uma volta de carro pela cidade, pizza e cama para acordar bem no dia seguinte.
É, te digo que a prova tava bunitinha. Sorri ao ver a Lóri lá, com sua frase: "um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa, mas seremos um só." (isso é um raciocínio dialético, né?) E te juro que tentei pensar bem em cada questão.
Depois tinha o texto das sem razões do amor (um pouquinho de passado até que não me fez mal). E eu feliz por conhecer aquele pequeno mundinho de palavras.
Tinha também Tanto mar, a música do Chico pra Revolução dos Cravos e eu quis cantar... "e um pouquinho de alecrim"...
Comi chocolate para ter energia para as 60 questões.
É, fiz o tal do exame de qualificação da UERJ. E acho que tirar B virou um karma. Putz ! Por uma !!! Foi por uma e estou.. bem, não sei nem definir a raiva que estou sentindo.
Escrito por Carolina às 17h26
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